JIU JITSU NA ESTRADA

5 jul

TATAME artigo jiujitsu
Jiu Jitsu na estrada
Arrumei minha mochila com dois quimonos e com o espaço restante da mochila coloquei as minhas roupas e o que achava necessário para uma viagem ao Leste Europeu. Não é a minha primeira viagem sendo o Jiu Jitsu como o fator principal da dela, já fui para a uns países da Europa, América Central, onde dei seminários e surfei naquelas ondas perfeitas. Mas confesso que nunca pensei num dia em treinar Jiu Jitsu na Hungria e Eslováquia países que me pareciam tão distantes não só em milhares de quilômetros mais também longe das minhas atenções imediatas. Após falar com um amigo residente lá, embarquei sem imaginar o que me esperava. A única ligação e o foco era o Jiu Jitsu que me levava para um país que eu sabia muito pouco sobre ele. Do Rio voei a Bélgica e depois de umas horas peguei um vôo para Hungria e enfim cheguei a Budapeste. Frio, placas impossíveis de serem lidas. O idioma segundo eles “até o diabo respeita!” é incompreensível. Em pé no aeroporto fiquei esperando meu amigo Felipe Xavier faixa marrom da equipe Integração Jiu Jitsu de Guarujá – SP, que veio me encontrar para conhecer a Hungria, terra dos cavalheiros que atiravam flechas para trás e o Jiu Jitsu do leste europeu. Passamos por pontes que unem Buda a Peste, até então pensava que Budapeste era uma cidade só. Não! são duas. Em pouco tempo mais brazucas se reuniram no apartamento do meu amigo e é claro, perguntas gerais e caímos no assunto principal a nossa Arte Suave. Em Budapeste o Jiu Jitsu já caminha com academias e campeonatos reunindo atletas locais e de países vizinhos como Sérvia, Croácia, Romênia, Eslovênia, Macedônia, Ucrânia e Polônia entre outros. Na Hungria existem excelentes treinos e lutadores já com resultados expressivos em Campeonatos locais e internacionais. Uma coisa não combina antes de treinar é comer gipsy food. Deliciosa a comida mas você é finalizado ainda na mesa. Em Budapeste encontrei as academias Rickson Gracie Hungary, Mazsahaz BJJ Hungary, Carlson Gracie Team e GB Hungary que ensinam Jiu Jitsu na Hungria. A união entre os brasileiros no exterior é grande. Um convite do Bráulio Estima que me ligou de Abu Dabhi para visitar a GB Hungria. O Mestre de Capoeira Claudio Roberto Pereira da ACDP Capoeira sabendo da minha chegada apareceu para dar boas-vindas e me dar dicas sobre Budapeste onde vive há mais de 10 anos ensinado capoeira em Budapeste. Esses contatos te deixam animado principalmente em lugares onde você não entende nada. Nas andanças por Budapeste muitas vezes com o quimono debaixo do braço, atraíam olhares curiosos. E até mesmo um senhor coreano correu atrás de mim perguntando que luta praticava, então, ali no meio da praça dos heróis trocamos palavras sobre TKD e Jiu Jitsu, Korea e Brasil assim o quimono funcionou como um ímã atraindo um faixa preta coreano que com um inglês precário conversamos por um tempo e tirando uma foto para celebrar uma amizade entre um coreano e um brasileiro na Hungria. É muito bom ver como a nossa Arte Suave é uma ponte entre amigos e possibilita viagens para lugares até então impensáveis por vários motivos. Depois dos treinos a confraternização acontece como aqui, mas com cerveja e a típica bebida, a famosa Pálinka, que depois de uns goles você não sente mais nada, até mesmo dores causadas por entorses. A conversa então corre por todos os assuntos, ali na mesa comigo tinham lutadores não só de Jiu Jitsu como praticantes de Judô e Wrestling também. Mais uma vez pude ter a comprovação como a luta une pessoas de diferentes nacionalidades unidos pelo Jiu Jitsu. Você que está lendo essas palavras, acredite, pegue seu quimono ponha na mala ou na mochila independente se tem campeonatos ou não. Se aventure em outros tatames, treinos diferentes e novos amigos aparecerão no seu caminho. Assim você poderá conhecer lugares fora dos pontos turísticos e o principal, conviver com as pessoas locais. Estive numa região mais afastada de Budapeste onde pude ver o rio Danúbio ainda com margens intocadas pelo homem. Experimentar uma pouco da vida local e sua cultura. O Jiu Jitsu já me levou a lugares lindos como uma basílica de Esztergom na fronteira com a Eslováquia onde você caminha por aquelas muralhas que testemunharam muitos combates e permanecem ali como um sinal de resistência ao tempo. Nos museus podemos encontrar armaduras amassadas nos combates, podemos imaginar a ferocidade dos combates, hoje descansam nos museus. Percebo como o espírito de luta acompanha a alma humana desde os tempos mais antigos e com orgulho carrego o meu quimono na estrada…

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